Imprensa tenta compensar quebra de vendas em banca com assinaturas digitais
A redução das vendas em banca tornou-se uma espécie de doença crónica degenerativa da imprensa portuguesa. Em queda permanente há anos, as tiragens atingiram níveis deprimentes e em alguns casos ridículos. As empresas jornalísticas parecem encarar a situação como uma fatalidade, conformam-se, reduzem as despesas com o pessoal e promovem as assinaturas digitais como panaceia universal. Esquecem-se (?) de que o factor determinante nas vendas ou nas assinaturas é o conteúdo e que, tal como ninguém compra laranjas azedas por muito promovidas que sejam, ninguém compra jornais que não informam. O “Público” resumiu [siga o link abaixo] os últimos dados do controle de tiragens, comparando-os com os de há doze meses, e dá uma ideia da evolução das assinaturas digitais. Uma ideia, porque falta um dado significativo: o impacto das transferências do papel para o digital nas receitas e na estrutura de custos. Por exemplo: quantas assinaturas digitais anuais são necessárias para compensar uma perda de mil exemplares em papel? (João Alferes Gonçalves)
Assinaturas digitais do PÚBLICO voltam a impulsionar circulação paga que sobe 25%
Em Março deste ano, o PÚBLICO contou com mais de 40 mil assinaturas digitais. As vendas em banca registaram uma média de 11.940 exemplares, o que representa uma queda de 26% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
As assinaturas digitais do PÚBLICO continuaram a registar um crescimento positivo no primeiro trimestre deste ano, permitindo um aumento de 25% na circulação total paga do diário. A circulação total passou de 41.417 exemplares para 51.873, segundo os dados da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragens e Circulação (APCT).
O PÚBLICO, que apenas no primeiro semestre de 2020 tinha ultrapassado o Jornal de Notícias (JN) na circulação total paga (soma das vendas em banca e das vendas online), graças ao aumento das assinaturas digitais, reforçou essa vantagem nos primeiros três meses deste ano, ao atingir o dobro do valor da circulação total paga do JN, sendo esta de 24.445 e a do PÚBLICO de 52.045.
Mas enquanto o JN teve em Março deste ano a sua maior fatia de ganhos na circulação impressa com mais de 21 mil exemplares vendidos, o PÚBLICO contou nesse mesmo mês com mais de 40 mil assinaturas digitais, mas teve pouco mais de 11.500 exemplares na circulação impressa paga.
Estes valores e estas tendências têm reflexo nos valores trimestrais da circulação digital paga. Quando comparado o primeiro trimestre de 2020 com igual período de 2021, esta subiu de 24.112 para 39.182 – um aumento de 63%. Isso mais do que compensou a descida nas vendas da edição impressa em 26% (de 15.633 para 11.640 exemplares).
Embora o crescimento do número de assinantes não tenha sido tão expressivo como o registado no primeiro semestre de 2020, quando aumentou em 100%, esta subida permitiu à circulação total paga passar de 39.745 para 50.822 – registando um aumento de 78%.
Já este ano, entre Janeiro e Março a circulação total subiu de 49.976 para 53.085, não obstante, mais uma vez, o abrandamento da circulação total impressa nestes três meses, que passou de 12.165 em Janeiro para 11.828 em Março.
O Correio da Manhã continua a ser o líder nos jornais diários com uma circulação total paga de 55.965 exemplares, sofrendo ainda assim uma quebra de 21% em relação ao primeiro trimestre de 2020. O Diário de Notícias fechou os primeiros três meses do ano com uma circulação total paga de 5315 exemplares, entre papel e digital, o que representou uma quebra de 17%.
Nos semanários, o jornal Expresso registou uma subida de 43% na circulação total paga, com um total de 53.233 exemplares, sendo que as assinaturas digitais cresceram de 34.655 para 50.649 do primeiro trimestre de 2020 para o primeiro trimestre de 2021.
Nas revistas semanais a Visão está à frente da Sábado e, apesar de ter registado uma quebra, ela foi muito menor do que a sua rival da Cofina. A Visão caiu 5% na circulação total paga registando 31.516 exemplares, ao passo que a Sábado caiu 32% ficando com um número final de 27.859.
(“Público” – 31 maio 2021)
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